Estava escuro, já era noite.A lua brilhava
intensamente e seu reflexo nas águas escuras encantava uma garotinha que
assistia a cena atenciosamente, ela estava sentada em uma pedra a beira do rio.
Os cabelos negros esvoaçando ao vento, os lábios naturalmente
rosados,os olhos num azul intenso que davam beleza a sua face pálida.
Ela levantou da pedra e foi ate sua mochila perto de uma
árvore, pegou um ursinho de pelúcia amarelo e o apertou com força.
- sinto sua falta, Mia... – choramingou a menina enquanto
apertava o urso
Ela se lembrava de sua irmãzinha de 6 anos, que se chamava Mia,
ela tinha autismo mais sempre foi muito apegada a sua irmã. Uma imagem de uma
criança segurado um urso amarelo surgiu na mente da garotinha
“eu te amo Sophia!” – dizia a imagem.
Sophia tinha cerca de uns 11 anos, depois de inúmeras brigas
em casa por causa de seu padrasto e também por causa de sua mãe. Ela decidiu
fugir de casa. Ficar longe por uns tempos. Ela era uma criança problemática tem
transtorno de déficit de atenção, hiperatividade e dislexia.
Um barulho ecoou de dentro das sombras da floresta. Ela
rapidamente pegou um pedaço de pau que estava ao seu lado
“será o bicho malvado que tentou me pegar?Ele me seguiu ate
aqui?” – pensava Sophia
Na estação de metro Gallery PI-Chinatown, no centro de
washigton. Um animal estranho metade águia, metade felino com cauda de serpente
tentara atacar Sophia. Ela entrou em um taxi que a levou ate Seattle. Sophia não
sabia ao certo em que parte de Seattle estava, afinal nunca tinha ido ate La.
Ela respirou fundo, guardou o urso, e tomou coragem.
-Quem esta ai? – ela perguntou tentando esconder o medo em
sua voz
O barulho se intensificou,
galhos quebrando, folhas se movendo...
Uma silhueta masculina apareceu. Uma não, duas. Não dava
para ver seus rostos na escuridão da noite. A julgar pelos corpos deveriam ter
12 ou 13 anos.
-Calma! Não vamos machucar você! – disse uma voz
- quem são vocês? – ela perguntou aumentando o tom de voz
- eu sou Owen e esse é meu amigo Carl – disse a mesma voz,
que deveria ser Owen.
- não consigo ver vocês, saia da sombra! – Sophia disse com
o mesmo tom de voz de antes
O garoto se aproximou, ele tinha cabelos castanhos e bagunçados,
olhos verdes como a grama ao seu redor, tinha pele clara e pouquíssima sardas
nas bochechas. Ele era alto e magro.
Ele sorriu gentilmente, mais a garota continuou seria.
- eu sou Owen! E você quem é? – ele perguntou a menina
- por que seu amigo não sai das sombras também? – ela perguntou
ainda séria
Owen fez um movimento com as mãos e o outro garoto saiu das
sombras. Este tinha cabelos loiros e rebeldes, olhos azuis como os da Sophia, pele
clara e também era alto e magro.Porem um pouco mais baixo que Owen.
- meu nome é Carl você quem é? – ele perguntou
“definitivamente são pessoas! Não tem problema dizer apenas
o meu nome!”– pensou Sophia.
- Sophia – ela disse ainda seria
- o que está fazendo aqui sozinha? Onde estão seus pais? –
perguntou Owen
- eles me odeiam! Estou aqui por livre e espontânea vontade!
– disse Sophia
- sabe que é perigoso? – disse Carl
- eu sei me defender sozinha! – ela disse levantando a tora
de madeira
- Ei! Calma garotinha! –disse Carl rindo
- não pode ficar aqui sozinha a noite! – disse Owen
- posso sim! Sei me virar sozinha!
Owen puxou Carl para um canto e disse:
- ela pode ficar com a gente!
- Esta maluco? É mais perigoso ela com a gente do que ela
sozinha!
- mais ela é completamente humana não vai ver nada do que
nos vimos
- e depois fazemos o que com ela?
- sei La! Ela deve ter parentes! Colocamos ela num taxi e
fim de papo
Carl pensou por uns minutos e aceitou a proposta do amigo
- oi? Eu ainda to aqui sabiam? – disse Sophia impaciente
Eles foram ate a garotinha e contaram a ideia. Ela ficou
pensativa por uns instantes mas resolveu confiar e aceitar a proposta dos
garotos.
- ok! Mais não me mande para casa – ela disse enquanto
pegava sua mochila
Carl e Owen se entreolharam e assentiram para a garota.
Eles acamparam perto do rio. Entre conversas Sophia
descobriu que Owen Clark tinha 12 anos, vinha de uma família humilde
e sua mão o largou na rua quando ele tinha 11 anos. Descobriu que Carl Phillips
tinha 12 também, sua mãe era uma secretária de hospital, e que nunca tinha
tempo para ele e dizia que ele atrapalhava sua vida então Carl fugiu assim como
eu.
- e você pequena? – perguntou Owen quando terminou de
acender a fogueira
- eu o que? - ela
perguntou
- a sua historia! Conte! – disse Carl enquanto trazia alguns
peixes que ele tinha pego no rio na maior facilidade com seu arco e flecha
- meu nome é Sophia Scott, tenho 11 anos, minha mãe é uma
vendedora de imóveis, meu padrasto um sem teto, desempregado ambos me odeiam.
Eu tenho uma meia-irmã chamada Mia... Prefiro não falar disso! – ela disse
abaixando o rosto – eu fugi de casa quando minha mãe disse que foi um erro ter
se deixado iludir pelo meu pai verdadeiro que eu só vi uma vez!
- como era... Seu pai biológico? – perguntou Owen
- não me lembro da fisionomia apenas de sua voz doce cantando
uma canção de ninar...
- canção de ninar? – perguntou Carl
- sim, sim! Eu ainda me lembro, de alguma forma eu nunca
esqueço!
- cante para nos! – disse Owen
- claro! – disse Sophia sorrindo, ela estava começando a
gostar dos novos companheiros.
Ela começou a cantar.
Dorme, dorme menininha
eu estou aqui
vá sonhar
ainda é tempo vá, vá dormir
Sonha sonhos cor de rosa
passeia no céu e no mar
apanha o mundo
no teu sonho, Sophia
e não deixa ninguém roubar
Olha, não reparta com ninguém
os teus sonhos de menina
dorme, dorme
dorme e sonha menininha
sonha, é tempo ainda
eu estou aqui
vá sonhar
ainda é tempo vá, vá dormir
Sonha sonhos cor de rosa
passeia no céu e no mar
apanha o mundo
no teu sonho, Sophia
e não deixa ninguém roubar
Olha, não reparta com ninguém
os teus sonhos de menina
dorme, dorme
dorme e sonha menininha
sonha, é tempo ainda
(musica de Oswaldo Montenegro)
Owen aplaudiu e Carl também
- é linda! Cantas como um anjo! – disse Carl
- obrigado! – disse Sophia com um leve rubor em suas bochechas
- realmente cantas muito bem! - disse Owen
- queria que meu pai tivesse aqui. Cresci sem ele mais acho
que ele é a única pesso que me ama de verdade!
Um trovão ecoou nos céus. Carl olhou para Owen que fez o
mesmo.
-ãh... Sophia! Como você fez para chegar aqui? – perguntou Owen
- se eu contar duvido que acreditem!
- conte logo! – disse Carl impaciente
- um bicho muito estranho metade águia metade leão, com
cauda de serpente estava me perseguindo.
Owen engoliu em seco.
- acho melhor irmos dormir! – disse ele
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